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Olivier Toni
Brazilian composer and conductor

Olivier Toni

Olivier Toni
The basics

Quick Facts

Intro Brazilian composer and conductor
Is Musician Composer Conductor
From Brazil
Field Music
Gender male
Birth 27 May 1926
Age 96 years
The details (from wikipedia)

Biography

George Olivier Toni (São Paulo, 27 de maio de 1926 - São Paulo, 25 de março de 2017) foi um professor de música, maestro e compositor brasileiro.

Biografia resumida

Aluno de Martin Braunwieser, Hans Joachim Koellreutter e Camargo Guarnieri, e na Faculdade de Filosofia da USP foram seus mestres Florestan Fernandes, Cruz Costa, Gilles Gastón Granger e Otto Klineberg. Atuou como fagotista da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo (OSM). Importante articulador da atividade musical em São Paulo, é fundador da Orquestra Sinfônica Jovem Municipal de São Paulo (atual Orquestra Experimental de Repertório), da Orquestra de Câmara da USP (OCAM), da Escola Municipal de Música de São Paulo e ainda, do Departamento de Música da ECA-USP, da qual foi professor desde 1970 e se aposentou como professor titular e emérito. É também o idealizador e diretor artístico do Festival de Música de Prados (desde 1977). Vários de seus alunos ocupam hoje lugar de destaque na música brasileira, tais como Régis Duprat, Gilberto Mendes, Willy Corrêa de Oliveira, Mário Ficarelli, Rodolfo Coelho de Souza, Fabio Mechetti, Eduardo G. Álvarez, André Mehmari, Florivaldo Menezes, Fábio Zanon, Paulo César Chagas, Silvio Ferraz, Rubens Ricciardi, Maurício Dottori, e Cláudio Cruz. Em 2014 o Selo SESC produziu um CD com obras suas, tanto de câmara quanto orquestrais.

Biografia

George Olivier Toni (São Paulo, SP, 1926 - 2017). Fagotista, compositor, regente, pedagogo e pesquisador. De 1947 a 1950, frequenta a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (FFCLH/USP) e, paralelamente, estuda fagote com José Carboni, piano com Osvaldo de Vicenzo e Samuel A. dos Santos, harmonia com Martin Braunwieser, regência com Mario Rossini e composição com Camargo Guarnieri (1907-1993), desenvolvendo também estas duas disciplinas e teoria musical com Hans-Joachim Koellreutter (1915-2005). Em 1947 funda a Orquestra da Faculdade de Filosofia, iniciando-se na arte da regência. Ingressa, em 1951, como instrumentista na Orquestra Sinfônica Municipal (OSM), efetivando-se em 1953. Na OSM atua como professor a partir de 1952, e, três anos mais tarde, na Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) como membro fundador. Cria a Orquestra de Câmara de São Paulo (OCSP) em 1956, e a Orquestra Sinfônica Jovem do Município de São Paulo, em 1968, trabalhando como regente titular e diretor artístico em ambas. Funda a Escola Municipal de Música, atuando como coordenador e professor de 1969 a 1971.

Em 1966, lidera um movimento para a criação de um instituto de artes na USP, sendo designado como membro da comissão de estruturação desse instituto e do currículo do Departamento de Música (CMU). Inaugura o departamento em 1970, torna-se seu coordenador em 1972, e nesse cargo fica por mais de 15 anos. Ali, cria ainda a Orquestra Sinfônica da USP (OSUSP) e a Orquestra de Câmara (OCAM) do Departamento de Música da USP, em 1995. Inicia suas atividades como pesquisador em 1974, liderando um trabalho expedicionário na região aurífera mineira para recuperação e posterior restauração de documentos da música brasileira colonial. Tal experiência impulsiona a criação do Festival de Prados, em 1977, do qual é diretor artístico desde então e passa a ministrar aulas sobre a música colonial brasileira na pós‑graduação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Rege a Berliner Kammerorchester, a Orquestra de Câmara da Costa Rica, a Sinfônica Nacional de Cuba, além das brasileiras OCSP - com a qual realiza turnês pela Europa, África e Estados Unidos entre 1966 e 1970 - OSM e Osesp.

Possui um catálogo que inclui peças para várias formações: instrumentos solistas, música de câmara, orquestral e vocal (camerística e coral). Nesse campo, tem Três Variações para Orquestra, de sua autoria, executada na Alemanha em 1963 e sua Canção de Amigo, estreada em Berlim em 1990. Suas peças são editadas pela Panamericana Union, Peer Corporation e Novas Metas. Atua como jurado de concursos como o Gottschalk de Composição, em 1968, em Porto Rico; o Aldo Parisot, 1982, nos Estados Unidos; e o Vincenzo Bellini, na Itália, em 1993. Sua discografia, como regente, conta dois discos com a OCSP (1964 e 1965) e o primeiro título do Selo USP, em 1983, em que figuram principalmente obras do barroco mineiro. Recebe, com a OCSP, o prêmio de melhor conjunto, em 1959, o especial pela encenação da Infância de Cristo, de H. Berlioz, em 1959, e o de melhor disco em 1964, todos pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). No início da década de 1980 é agraciado com a Medalha Couto Magalhães por serviços prestados à cultura do país. Aposenta-se na USP como professor titular (que incorpora em 1984) e emérito (2001).

Comentário Crítico

George Olivier Toni é uma figura-chave no desenvolvimento da música paulistana nas últimas décadas. A política e a música, tanto como ideologia quanto como realização prática, são para o maestro elementos absolutamente indissociáveis, a ponto de ele exprimir que há um dualismo expresso entre as figuras do político e do regente.1

Esse dualismo pode ser percebido em todas as suas realizações como idealizador, fundador e coordenador de organismos que possuem, até hoje, uma importância significativa na construção da história musical de São Paulo e se fundem integralmente à sua atividade de regente e pedagogo. Líder por natureza, sua posição como representante da Orquestra Municipal durante a década de 1960 (cargo que exerce por três ou quatro vezes) o leva a travar contato com o então prefeito José Vicente Faria Lima, que o incumbe de fundar a Orquestra Sinfônica Jovem do Município de São Paulo. Esse cargo lhe possibilita, posteriormente, a formulação da proposição da fundação da Escola Municipal de Música, concretizada pela mesma administração municipal. Da mesma forma, o sentimento de indignação ao ver a falta de preocupação com a atividade artística dentro da Universidade de São Paulo (USP) e o decorrente desejo de erigir um instituto de artes nessa universidade o instiga a desenvolver, com o professor Erasmo Mendes (politicamente alinhado com a esquerda, assim como Toni), um memorial apresentado ao então reitor Luís Antônio da Gama e Silva (o mesmo que redige pouco depois o famoso Ato Institucional nº 5, o AI-5) e a buscar assinaturas expressivas no meio musical e social paulistano, como a do regente da Filarmônica de Viena, Karl Böhm, e a do proprietário do jornal O Estado de S. Paulo, Júlio de Mesquita Filho. É Gama e Silva que publica no Diário Oficial de São Paulo a portaria de criação do Instituto de Artes da USP, e convoca Toni e Mendes para fazer parte da comissão de estruturação desse instituto.

Desse modo, mesmo com convicções comunistas, trabalha ao lado de representantes da ditadura militar a fim de concretizar projetos que acredita ser genuinamente importantes. Da mesma forma, estuda, durante sua formação como compositor, com os principais representantes das duas correntes que entram em conflito no início da década de 1950: a música universalista de Koellreutter e a música nacionalista de Mário de Andrade2 (comandada por Camargo Guarnieri). Seu direcionamento estético é guiado pelas diretrizes comunistas trazidas pelo compositor Cláudio Santoro do 2º Congresso Internacional de Compositores e Críticos Musicais de Praga (1948)3 e pela publicação da Carta Aberta aos Músicos e Críticos do Brasil (1950), de Guarnieri. No entanto, todos os alunos de composição que orienta nesse período, notoriamente Gilberto Mendes, Willy Corrêa de Oliveira, e Rogério Duprat, alinham-se curiosamente com a música de vanguarda, tornando‑se dela grandes expoentes, aos quais se somam a formação de outras gerações de compositores igualmente expressivos no campo da música contemporânea, entre eles podem ser citados Mário Ficarelli, Silvio Ferraz, Florivaldo Menezes Filho, Paulo Chagas, Rubens Ricciardi, Rodolfo Coelho de Souza e Paulo Álvares. É com esse mesmo espírito, imparcial, que rege a Orquestra de Câmara de São Paulo (OCSP) nessa época, na qual apresenta lado a lado tanto peças de uma corrente quanto de outra.

A esse propósito, ele próprio afirma que seus concertos conciliam "[...] de uma certa forma o Guarnieri e o Koellreutter", por não privilegiar "facções políticas e musicais",4 que crê ser o papel legítimo de uma orquestra. Essa mesma pulsão política-musical, aliada a sua preocupação social esquerdista, o motiva, igualmente, a criar o Festival de Prados. Durante uma viagem a Minas Gerais com um grupo de estudantes de música da USP numa expedição organizada para realizar a coleta de partituras pertencentes ao período barroco da região, Toni depara-se casualmente com as particularidades humanas e musicais da cidade de Prados.  Desse encontro, surge o início de um evento que completa sua 35ª edição no ano de 2012, fato notável pela sua perenidade no cenário nacional, sendo sempre dirigido e organizado por Toni. Segundo o próprio maestro, esse festival tem como finalidade "estimular a criatividade musical daquela cidade e desenvolver a atividade pedagógica dos alunos mais capacitados do CMU, convivendo com uma população de fortes raízes culturais, mas de baixo nível econômico e educacional".5É importante remarcar que, em todo o seu histórico, nenhum professor nunca foi remunerado. Trata-se de um trabalho em que o mais importante é o projeto humano e a educação. Além dessas características no campo da regência, seu interesse manifesto pela música antiga transforma‑o em grande propagador da música barroca brasileira, tendo, entre outros, catalogado mais de meia centena de obras de compositores mineiros dos séculos XVII e XVIII e realizado a estreia mundial de peças como o Moteto para os Santos Mártires, do padre José Maurício, no Festival de Prados, em 1984, com o coro e orquestra do Departamento de Música (CMU), e dos cursos durante o festival.

Composicionalmente, sua estética desenvolve-se a partir da crença de que "a linguagem artística, como um todo, está cada vez mais desfigurada".6 Segundo Toni, "não há mais solução na linguagem musical. Tudo o que veio recentemente passou. A música eletrônica passou, a música dodecafônica passou e o jovem músico vai escrever o quê? Vai escrever o mesmo que Mozart, Verdi? Não. A música vive um impasse. A música ocidental é toda montada num esquema em que dentro da oitava se fixaram todas as notas e o músico é obrigado a tocar temperado ou, como se diz hoje, afinado. Agora se inventou o serialismo, que usa algumas notas mais do que outras. Eu, como compositor, ultimamente me recuso a usar as 12 notas".7 Sua solução é criar uma linguagem que lance mão de um número reduzido de alturas. Já em suas Três Variações para Orquestra, escrita em 1962-1963, a primeira variação conta com oito notas, a segunda com quatro, a terceira, apenas com uma, um si bemol ininterrupto. Em suas peças mais atuais, a mesma problemática continua a ser trabalhada. Para exemplificar, Toni comenta sua peça Só Isso e Nada Mais, explicando que parte "para a composição com seis notas, de caráter modal, mas com pitadas emprestadas da técnica chinesa de pintura", buscando "mostrar que o vazio é vivo",8 e tentando superar, por meio desse vazio, o sistema, a seu ver saturado, das 12 notas.

Bibliografia e notas

  • Enciclopédia Itaú Cultural
  • 1 RAMOS, Ricely Araújo. Música viva e a nova fase da modernidade musical brasileira. p. 114. 2 Em seu Ensaio sobre a música brasileira, Mário de Andrade enfoca sobretudo o conceito da arte-ação, ou da função social da obra artística, que, segundo ele, deve refletir as características do povo a fim de se criar uma identidade nacional proporcionando ao mesmo tempo uma elevação do nível da música popular e uma maior compreensão da música erudita pela massa. 3 Que prega uma música realista-socialista de qualidade artística e de cunho popular, e condena a música dodecafônica, serial e atonal, no intuito de oferecer ao povo obras capazes de serem compreendidas. 4 SOUZA, Rodolfo Coelho de. Notas compactas: Olivier Toni. 5 TONI, George Olivier. Memorial, p.7. 6 MANDALOUFAS, Kika. Memórias e lições de um pioneiro. 7 Ibidem. 8 COELHO, João Marcos. Olivier Toni, 85 anos de paixão.
  • MARCONDES, Marco Antônio (org.). Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica e popular. 2a ed. revista e ampliada. São Paulo: Art Editora, 1998, p.778-779.

Ligações externas

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